Ícone Whatss
ÓLEOS BÁSICOS - PARTE II
Lubrificação

Publicado por Eng. José Cesário Neto

28 JAN 2021 | 10h50

Dando sequência ao assunto de óleos básicos, hoje vamos compartilhar algumas informações relevantes sobre óleos básicos minerais premium do grupo II, III e fazer comparativos com básicos minerais comuns e básicos sintéticos. 

 

Como já abordado no primeiro post sobre óleos básicos, os óleos básicos minerais refinados, através de tecnologias de hidroprocessamento modernas, geralmente, mostram um melhor desempenho em relação às rotas de processamento mais antigas. Isso levou ao Instituto Americano do Petróleo (API), em 1993, categorizar os óleos básicos por composição, como mostrado na tabela abaixo: 

ÓLEOS BÁSICOS - PARTE II

Tabela 1

Grupo II - Óleos Básicos Minerais Convencionais Modernos

 

A tabela acima indica que os óleos básicos do Grupo II são diferenciados dos óleos básicos do Grupo I, porque eles contêm níveis de impurezas significativamente mais baixos (Aromáticos <10%, Enxofre(S) <0,03 %). Eles também possuem um aspecto diferente. Óleos do Grupo II são tão puros que eles são praticamente incolores.  

 

Do ponto de vista de desempenho, uma maior pureza significa que o óleo básico e os aditivos, que compõem o produto acabado, podem durar muito mais tempo.  

 

Mais especificamente, o óleo é mais inerte (resistente a degradação) e forma menos subprodutos de oxidação que aumentam a viscosidade do óleo básico e esgotam os seus aditivos. A gráfico abaixo mostra a diferença entre um básico do Grupo I e do Grupo II, quanto ao nível de impurezas na sua composição química. A grande diferença no nível de impurezas, é a principal razão para o maior desempenho do básico Grupo II.

ÓLEOS BÁSICOS - PARTE II

Gráfico 1

No Gráfico 2 pode-se observar um comparativo entre um óleo básico produzido no início da década de 20 sem aditivos, óleo de turbina formulado com básico Grupo I com aditivo e óleo de turbina formulado com básico Grupo II com aditivo. Observem a diferença de desempenho entre os produtos quanto a sua vida útil. Neste teste, se compararmos o óleo de turbina do Grupo II com o Grupo I, estamos falando em 3 vezes mais. É muita coisa. 

ÓLEOS BÁSICOS - PARTE II

Gráfico 2

Grupo III - Óleos Básicos Minerais Não Convencionais

 

A Tabela 1 mostra que o API define a diferença entre os óleos básicos do Grupo II e do Grupo III apenas em termos do Índice de Viscosidade. Óleos básicos Grupo II possuem índice de viscosidade "convencional" (80-119). Já os óleos básicos Grupo III possuem índice de viscosidade "não convencional" (120+) I. Os óleos do Grupo III, algumas vezes, também podem ser chamados de óleos básicos não convencionais (UCBOs - Unconvencional Base Oils) ou óleos básicos de índice de viscosidade muito alto (VHVI - Very High Viscosity Index)).

 

Os modernos óleos básicos do Grupo III rivalizam com os sintéticos, pois possuem propriedades que permitem que eles se apresentem em níveis de qualidade muito altos, inclusive podendo superar o desempenho de óleos sintéticos tradicionais, como é o caso da tecnologia ISOSYN (óleo básico premium + aditivos) da Chevron.

 

Grupo IV - Óleos básicos tradicionais "sintéticos" (PAO)

 

O uso da palavra "sintético" na indústria dos lubrificantes tem sido, historicamente, sinônimo de óleos básicos polimerizados como a poli-alfa-olefinas (PAOs). Estes são compostos por pequenas moléculas extremamente inertes. O primeiro processo comercialmente viável para fazer PAO foi criado pela Gulf Oil em 1951; esse processo foi melhorado pela Mobil na década de 60. A Mobil usou pela primeira vez esse novo óleo básico em produtos especiais, como Mobilgrease 28 (graxa com óleo básico sintético), que resolveu um problema de falha em rolamentos de roda  de aviões submetidos a temperaturas baixas em climas frios.

 

Na década de 70, os PAOs passaram a ser utilizados em maior proporção, quando primeiro a Amsoil e, em seguida, a Mobil Oil, lançou no mercado seu óleo de motor sintético (Mobil 1®).

 

Durante os 15 anos seguintes, o mercado de PAO percorreu uma estrada longa e sinuosa lutando com um crescimento lento, constante e críticas, em razão do seu alto custo, bem mais alto do que o custo dos óleos convencionais. A partir de meados da década de 90, o mercado de PAO cresceu significativamente, primeiro na Europa e depois na América do Norte, experimentando períodos de crescimento de dois dígitos. 

 

Em parte, o crescimento pode ser atribuído ao maior rigor das especificações Europeias, que criaram um nicho de mercado para lubrificantes sintéticos e semissintéticos.

 

No entanto, o custo sempre foi o "calcanhar de Aquiles" do óleo sintético. Com a evolução das tecnologias de tratamento dos básicos minerais, alguns produtores de lubrificantes, principalmente na Europa, começaram a substituir os PAOs por óleos básicos do Grupo III recém-disponíveis em substituição aos óleos de motor de base sintética. O fato é que a tendência para especificações de lubrificantes globais por parte de entidades e fabricantes de veículos, estão gerando cada vez mais demanda por óleos básicos do Grupo III. Isso passou a ser, particularmente, verdadeiro a partir de 1999 na América do Norte, quando o National Advertising Division of the Better Business Bureau passou a considerar os óleos básicos do Grupo III como "sintéticos".

 

Performance Grupo III vs. PAO (Group IV)

 

Historicamente, poli-alfa-olefinas (PAOs) sempre tiveram características de desempenho superiores — como índice de viscosidade (I.V.), ponto de fluidez, volatilidade e estabilidade a oxidação. Características que não podiam ser alcançadas com óleos minerais convencionais. Com os modernos processos de fabricação de óleos básicos, estas características de desempenho puderam ser controladas independentemente e possibilitou com que óleos de base mineral atingissem níveis de qualidade similares aos sintéticos.

 

Um óleo básico do Grupo III pode realmente superar o desempenho de um PAO em vários pontos importantes para a performance do lubrificante, como solubilidade dos aditivos (melhor homogeneização/mistura), lubricidade e proteção ao desgaste, entre outros, fundamentais para performance do produto final. Por exemplo:

 

      - Ponto de fluidez (menor temperatura em que o óleo ainda flui)

      - Cold Crank Simulator (teste que mede a viscosidade do óleo a baixa temperatura          no momento da partida no motor)

      - Volatilidade NOACK (teste que mede o nível de volatilidade do óleo)

      - Estabilidade da oxidação (resistência a degradação pela reação do óleo com o             oxigênio)

 

No gráfico 3, observa-se o comportamento da estabilidade a oxidação dos óleos hidráulicos formulados com óleo básico Grupo I, II, III e PAO(sintéticos). Observem como se comporta o nível de acidez ao longo do tempo. Óleos hidráulicos formulados com básico grupo tornam-se ácidos num intervalo de tempo bem menor do que os demais. Destaque, também, para a similaridade entre Grupo III e PAO.

 

 

ÓLEOS BÁSICOS - PARTE II

Gráfico 3

A demanda por lubrificantes de primeira linha continuará por justificar a coexistência de PAO e óleos do Grupo III. Porém, a ampla disponibilidade de óleos básicos modernos do Grupos II e III tem acelerado o processo de mudança nos mercados de lubrificantes. Cada vez mais os óleos minerais do Grupo II e III estão tomando seu espaço, ajudando os fabricantes de motores e equipamentos, a atender, economicamente, demandas crescentes por lubrificantes melhores e mais limpos.

 

À medida que a tecnologia dos óleos básicos continuarem a evoluir e melhorar, os consumidores vão poder desfrutar de uma proteção ainda maior para seus automóveis, caminhões e máquinas. Já é uma realidade que o desempenho dos lubrificantes, que anteriormente era alcançado apenas com óleos sintéticos PAO, tem sido obtido usando óleos lubrificantes modernos formulados com óleos básicos premium do Grupo II e Grupo III. É por esta razão que a Chevron e, consequentemente, a ICONIC utiliza em suas formulações sintéticas e semissintéticas estes tipos de básicos, tornando-os mais robustos através da adição de aditivos criteriosamente selecionados.

 

Bem amigos, creio que podemos nos dar por satisfeito e encerrar este tema sobre óleos básicos. Muitas informações foram passadas para vocês e tenho certeza que algumas delas, não eram de conhecimento geral. Espero que tenha atendido as suas expectativas.

 

Utilizem o campo abaixo para deixarem seus comentários, sugestões e dúvidas. Até o próximo correio técnico!

(0) Comentário(s)

*Campo obrigatório